Em nome de Deus

30/03/2012 14:42

           

 

            Deus, o personagem mítico e Senhor Supremo do Universo, sempre tido como a fonte de inspiração a todos os povos, independente de quem ou de que forma se apresente é sempre a discussão que causa maior polêmica. Todavia numa coisa todos concordam: Deus é o centro maior de tudo.

            Agora, o fato que causa a divergência entre os amantes da teologia, ou seja, os amantes da vida de Deus reside no fato de saber reconhecer a verdadeira vontade de Deus e, neste ponto entra o homem.

            Falando em nome de Deus, milhares de crianças foram sacrificadas à Baal no passado. Negros, cristãos, pobres foram perseguidos, lançados ao fogo ou à arena para ser despedaçados por leões. Rasgaram-se estradas e levaram a “mensagem da libertação” nas cruzadas. Catequizaram-se os índios. Enfim, fundou-se, assim, o reino de Deus na terra.

            Nesse ínterim trago à discussão ao cerne e luz do cristianismo moderno cujo maior problema é exceder nas suas funções, posto que a vontade de Deus é simples e resume-se a duas palavras: Dispor e Ide.

            Ter disposição não é nada além de devolver a este Deus, em gratidão, parte daquilo que o ser humano gratamente recebe imerecidamente. Fazer o “ide” resume-se em levar a palavra de Deus às nações. Note: levar a palavra.

            Todavia, em nome de Deus, milhares de pessoas, sejam elas evangélicas, católicas, espíritas, dentre outras querem transformar às pessoas com falhas argumentações de certo ou errado. De céu ou inferno. De purgatório ou Não. E tudo fica cada vez mais turvo. Uma frase que sempre me chamou a tenção diz que muita luz é como muita treva: ninguém consegue ver absolutamente nada.

            Folheando à Bíblia de Gênesis à Apocalipse não há quem possa encontrar sequer uma referencia que Deus ou seu filho Jesus Cristo veio à terra fundar uma religião. Do contrário, ele veio para aqueles que o amam. Veio para os seus, mas os seus não o receberam.

            Então, o que legitima o homem a julgar o seu semelhante se, o próprio Cristo disse: Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me?

            Logo, resta claro que o próprio filho de Deus, na concepção Cristã, dá aos seus filhos uma escolha e não uma obrigação. É que pra quem quiser, posto que o “Reino de Deus é tomado à força”.

            Eu, você, nós, todos temos defeitos em graus diferentes. Se eu apontar o dedo para o meu semelhante e disser que ele vai para o inferno se não mudar isso ou aquilo, não vai trazer à salvação à sua vida, mas se eu convidar este meu semelhante à conhecer um Deus e desenvolver um relacionamento com este Deus, esta pessoa certamente será transformada, pois quem faz à mudança é o próprio Deus.

            Por isso, antes de criticar o seu semelhante pela escolha de vida dele, lembre-se que a nós não compete julgar e sim, apresentar a vida deste nosso bom Deus ao próximo.

            Se você é do tipo de fala em nome de Deus, cuidado! Ele não está aqui para se defender e, num rápido exame de consciência, estaria você, eu ou nós, em nível de falarmos e representar a figura do próprio Deus na terra? Estaríamos, pois, em nível de sermos reconhecidos como a própria extensão da divindade aqui na terra?

            Nós sequer amar sabemos. Estamos caminhando para evoluir o nosso espírito e ao tempo certo sermos recolhidos.

Em nome de Deus, pessoas têm matado umas as outras, mas tem se esquecido de matar a fome, à sede, de aquecer a quem precisa. Em nome de Deus pessoas ficam cada vez mais ricas, poderosas e influentes, mas se esquecem que este próprio Deus não precisa de dinheiro por ter feito todas as coisas. Em nome de Deus, há pessoas chorando, se matando, deixando de pensar e amar, de fato e, de que adianta tudo isso? Haverá milhões de céus, infernos? Como sermos irmão se dar as mãos uns aos outros?

Não deixe que a sua religião cegar o seu caráter moral perante o verdadeiro Deus. A religião deve ser como uma escola, para eperfeiçoamento da comunhão, pois o dia que deixar ser “comunhão” e passar a ser uma “reunião de interesses e egos” como tem sido, tudo continuará na mesma procissão.

De que adianta querer ir para um céu dividido? Não seria a mesma coisa da terra? Em nome de Deus: Essa palavra merece tanto cuidado quanto a palavra amor!