Espelho da alma

29/07/2011 12:58

 

Um dia um sábio me disse que seria necessário mudar meu jeito imperfeito de ver o mundo a minha volta para que as coisas fluíssem mais fáceis e naturalmente corretas, como devem ser. Prosseguiu. Falando mais e mais coisas, prosseguiu. Segurou a minha mão e de convicto modo despertou-me de um sono em que nunca tivera acordado antes. Achei gracioso. Confesso que por vezes em cimar, até estranho. Mas ouvi atentamente cada desfilar de palavras que se soltavam no desfiladeiro necessário de querer mais de vida em vida.


 

            Quando o sábio partiu, uma névoa espessa pairou sobre meus horizontes, fazendo até mesmo que o sol se escondesse despido atrás da lua cheia que brilhava no seu diurno-escuro e meus sonhos, todos eles acordaram em pânico - sem tv. Então estava acompanhado. Eu sabia que achava, pensar tudo conhecer daquilo, em tanto complexo como a descrição semântica destas linhas. Restavam assim, como naufrago em multidão estranha à sua lide pitoresca, minhas ações, quando da partida do sábio além deste. Pior que ter um sonho é ter milhões brigando entre si e, escolher qual deles seria o vivido primeiro.


 

            Enquanto as minhas discussões de alma se digladiavam, apontaram-me três ou quatro canhões que simplesmente fizeram pó da minha rota carne e novamente confesso tive medo. Meu chão de sólidas pedras construídas, não passou de uma abstração lúdica e vaga e, com tantos ventos soprando as poeiras daquele primo deserto eu não pude ver nada. Havia somente uma crise interior que transformava-se me capital. E assim foi, por duas décadas e meia apertada de criar calos na alma.


 

            Certa noite, tão surrado pelos desafios que se opunham a esta sorte, tropecei num vale tão denso que só esperava o fim das coisas e já fui fechando os olhos. Ver o fim não era o desejava. Mas, era o que sentia. Então, parado em todos os sentidos, meu coração desacelerou de jato à um cágado sonolento pós almoço. Então o inesperado aconteceu. O silêncio ensina mais que clamor, o amor e dor juntos, pois é no silêncio que o verdadeiro mundo de motivos se apresenta de diante de nós como ele realmente é e, sem menos cabros de porques, pode-se refletir.


 

            Minhas mãos que aguardavam o beijo da agônia finda, ali, em silêncio, tornaram-se à brasa viva que incandeceu todo meu corpo. Logo, um cheiro de tinta doce foi percebida e junto dele alguns pássaros cantavam ou brindavam alguma melodia que aos céus subia. Foi tudo tão rápido que nem deu tempo de abrir os olhos. Eu simplesmente não fechei o meu coração e pode minh'alma captar cada detalhe daquela pitoresca cena: anjos e mortais caminhando juntos, cada um a sua maneira e ao melhor estilo do colo da tarde: entregues sempre ao novo.


 

            As fotografias que tirei enquanto pude do meu transe-psique, me mostraram bem mais que paisagens e passagens. Desilusões e decisões, este todos tem que tomar, àquele alguns podem passar, me fizeram lembrar de Monet: Impressionado com a vida. Foi então que testemunhei que eu não estava dormindo, nem acordado. Estava me libertando das algemas da mente. Ninguém precisa de sábio nenhum, ele sequer existe. Todos nós só precisamos parar e refletir um segundo que seja e nosso sábio nunca partirá de nós; Ele sequer existe de verdade a menos que se olhes no espelho da verdade. (…) Um dia, pode até ser uma noite, clara ou escura, dependerá de ânguloe sentido para que o necessário, torne-se perrfeito, o jeito de ver o mundo a volta fluindo mais fácil e naturalmente corretas, as coisas, como devem ser. Um dia ...

 

Michael Wendder - Direitos reservados