Nós da classe C

21/05/2012 00:28

 

            O mundo sempre foi cheio de classes. Estas categorias que designam certos grupos, especificadamente, são reflexos de uma história que muda sempre o texto, mas que o contexto perpetua.

 

            Indagando sobre o porquê das classes descobrimos: A classe “A”, a primeira. O “”A de alpha, da primazia. O “A” de àquela, de Augustus, de divina. Foi por anos a classe do amor, por assim dizer. Destinada os nobres, com poder político. Até o amor era estamental e rico. Pobre não amava, não tinha vez, não tinha coração, alma. Pobre não era, porque a ele sequer o direito de pensar era devido. Assim, a lendária e máxima de Descartes faz todo sentido: Penso, logo existo.

 

            Continuando no passeio dos mundos, apresenta-se a classe “B”e uma vez mais a história é linda. A classe “B” dos banqueiros, da burguesia, da Belle Époque, do brilhantismo, dos baús da felicidade que o capitalismo propicia. E, como quem tem dinheiro acontece, não ser “A” é foi uma questão de tempo, de preço, de vontade.

 

            Com Rei e toda sua “classe” falindo em guerras e cada vez mais fraco o seu “sol”, ascendeu à classe “B” do mato ao ato maior chamado Poder.

 

            Ocorre que o Poder para ser precisa dos comandados, das criaturas, dos calejados e dos “compatriotas” que apresento: bem vindo a nós, da classe “C”. Classe “C”? Não. Eu creio que não. A realidade é que somos mais a classe “Se”. A classe que se “ferra” nos hospitais sem atendimento de qualidade; Que se humilha por reconhecimento – Professores, policiais, profissionais liberais – gente que doa e pouco ou quase nada recebem em contraprestação; Que se vende fácil (nas urnas, por uma dentadura, por alimentos esmolados, por favores “coletivamente privados”); Que se esconde das obrigações e luta e prefere o comodismo a ser chamado de “tumultuador”; Que se trai e atrai ; Que não se obriga. Ah, nós da classe “Se”. Moldados numa dimensão que desprezivelmente não trilha, apenas, caminha.

           

            Caminhando e cantando e seguindo a canção que a “classe das classes” escreve. É tão patético que repulsa causa. Depois, ainda reclamamos e tentamos entender a classe “D”.  Dos sem teto, dos desesperados, dos órfãos, dos da lanterna dos afogados. Entende-los é simples. Damos as costas porque não nos é de interesse e, é justamente assim, que a classe “B” e “A” faz conosco.

 

            Se você escreve que o homem não veio de um ancestral comum ao macaco, você erra na prova. Se você desacredita e defende que o homem não foi a Lua por Van Hallen não deixou, você também erra. Se você por fim, acredita e defende que os ataques terroristas de tal onze de setembro não foram um “ataque externo” de fato ou que os estadunidenses criaram o Katrina e dominam o clima global com HARP, você é um mentecapto, no mínimo, para o “senso comum”. Mas, quem dita esse senso comum? Acaso não são as classes “A” e “B” que pensam por nós, da classe “C” e ou “D”?

 

            Esse é foco: pensar para ser e não acreditar nas mendazes falácias que somos engessados. Estuda-se pra que? Pra pensar ou para defender opinião alheia? A história é narrada por quem ganha ou por quem luta? Alias o que e ganhar ou perder nesse viés? Não somos nós os “titulares do Poder” que “A” ostenta? Será? Constituição, que dizes? Cidadão, que pensas?

 

            Nós da classe “C”, sem menoscabos das demais, devemos ser a classe da cidadania, do cuidado e zelo pelo “coletivo”. A classe do “Cristo” e não da mera cruz. E, juntamente com a classe “D” da democracia, da diferença, dissipar o medo que nos leva ao “dessume-se”.

 

            Emergências, a parte, nós da classe “C”, “Çobreviveremos”? Vale a pena pensar!