Conduza-me

Conduza-me


Conduze-me no teu silêncio
E nada me deixas ouvir,
Nada me deixas tocar ou ver,
Apenas, conduza-me.

E deste instante aos outros que virão,
Que se reprise a cena deste instante,
Todas vezes que amor chamando
Nos der asas pra voar complemente parados.

Se for tamanha a glória destes anjos,
Que tituberar as páginas em branco,
Conduza-me as linhas tuas que serei livre.
Abertos ou calados, os meus cuidados,
Tão meus, quanto teus, só desejam voar,
Voar e ser assim: o pássaro que mil léguas
Sente o brisa do mar banhar o seu caminho.

Portanto, conduza-me no teu silêncio
E deixe o resto falar por nós.

 

Michael Wendder - Direitos reservados