De olhos bem fechados

De olhos bem fechados

Ontem estava péssimo, mas eu restava bem ou ao menos creditava.

Hoje está perfeito e, eu caminho pelo cheiro das pegadas tuas;

Tentando descobrir em que direção minha embarcação seguirá, agora;

Não é que eu tenha medo do futuro ou das coisas que não sei ainda;

Ou que minhas vontades e querer particular sobreponham-se a lógica;

Não, não é nada disso. Eu sou o mais irracional dos seres agora;

E a culpa não é sua. Isso é mérito: Ser abraçado pelo calor do teu carinho;

 

Hoje está bem e eu também, mais perto da paz que um sacro romano apostólico

E fiz de minhas apostasias todas, um refúgio vazio revel de dedos à face;

Rebelde como o canto preso na garganta que explode em bilhões de tons;

E simplesmente encanta a graça ocular de âmagos amaixonados e sedentos;

 

Se eu pudesse expressar em linhas, gestos, ou palavras como está meu coração;

Seria como respirar sem ar e pulmões num oceano vácuo sem fundo, mas perfeito

Seria como dançar tango na polca sobre patins num saibro pedante, ousado;

Seriam tantas e tantas e tantas coisas que prefiro ficar assim: quieto, bobo e,

De olhos bem fechados pensando em você a quase enfartando de desejo.

 

Hoje, eu e o mundo somos um. Amanhã será você e nós, um, apenas.

Eu não quero nem saber se vou ter chances com você: Só sei que vou te amar e,

Continuar aqui, assim de olhos bem fechados e quase enfartando de desejo.

 

Michael Wendder – Direitos reservados