Desprezível

Desprezível

Ouvi dizer que minha casca de ferida fechou;

E que até as suas cicatrizes feneceram junto;

Nada como um dia após o outro e outro, não?

Quando a porta se fechou no adeus que amanhecia;

E pude ver partir os caminhos da sua frieza;

Nem o silencio dos inocentes consolou a eu;

Que fiz partir o pão de dores e saciar o sobejado;

 

 

Ah, e só Deus sabe quanto coisa eu passei e vi;

Quanto de mim eu tive que doar ao eu até ser nós;

Que nunca houve ou haverá de fato. Que nojo!

 

 

O bom das feridas não é o remédio, são as dores;

São nelas que matamos os revéis que definham;

E se não há cicatrizes, não haverá piedade, medo;

Dó ou lástima da sua sorte. Ouvi dizer de você por ae;

É uma pena não ser surdo em horas como essa!

 

Michael Wendder - Direitos reservados