Às vezes, quase sempre, me sinto tão vazio de amor;
Tão vazado em lacunas que nunca quis, mas tenho;
E não tão curta quanto gostaria, suas marcas porfiam;
Choram por mim e se derramam. Esquecem do eu e eu.
Às vezes, como hoje, em que a noite seria perfeita;
E mesmo vendo o sol nascer, refutaria tal premissa;
Certo que nada mais me afaga que o calor do seu abraço;
Eu desejei demais, eu acho. Esqueces? Doeu, doeu: dói.
Em verdade não acho. Só perco a calma, à letra, o solo;
E todo mundo canta ao mesmo texto músicas quaisquer.
Em verdade eu não acho, só perco. Lembra-te que sou mortal.
E puro amor me move e não um simples respirar.
Vazio. Eu só queria amar de verdade, sem os elogios de Roterdã,
Sem ensaios ou peças cheias de retalhos, belos, mas picotados.
Mas alguém, tão você, sempre se esquece de eu. Doeu. Dói.
Michael Wendder - Direitos Reservados