Nem mesmo todo vazio desprovido de forma,
Seria capaz, agora, de mensurar essa lacuna;
Repleta de sentidos e tatos, porém desmembrada.
Desde que partistes, fostes e levastes consigo;
O eu que pensei ser, exclusivo, basta.
Nem mesmo toda esta erudição mundana,
Por mais que se esforçasse seria capaz de te perder,
Tão pouco seria possível, com o mero intelecto humano,
Não achar a graça transpiras pelo caminho,
Nosso, vosso, impróprio e extraordinário: amo.
Não penses, tu, porém que vou medir-te com as réguas,
Que as regras das conveniências tolas dão e vão.
Não penses que num único e isolado ato,
Esta nau esquecerá o porquê que navegar é preciso;
E sonhar é o desejo vivo que nunca dorme, precioso.
Não tentes, tu, aquém, lançar-me por um medo;
Esta alma, amante inata, não esqueça a tua;
Pois, fazê-lo seria abdicar da própria razão de ser;
E, se estas palavras não forem o bastante pra alegar-te;
Saibas, também, que não as serão para perder-te.
Michael Wendder - Direitos reservados