Insubstituível

Insubstituível

Nem mesmo todo vazio desprovido de forma,

Seria capaz, agora, de mensurar essa lacuna;

Repleta de sentidos e tatos, porém desmembrada.

Desde que partistes, fostes e levastes consigo;

O eu que pensei ser, exclusivo, basta.

 

Nem mesmo toda esta erudição mundana,

Por mais que se esforçasse seria capaz de te perder,

Tão pouco seria possível, com o mero intelecto humano,

Não achar a graça transpiras pelo caminho,

Nosso, vosso, impróprio e extraordinário: amo.

 

Não penses, tu, porém que vou medir-te com as réguas,

Que as regras das conveniências tolas dão e vão.

Não penses que num único e isolado ato,

Esta nau esquecerá o porquê que navegar é preciso;

E sonhar é o desejo vivo que nunca dorme, precioso.

 

Não tentes, tu, aquém, lançar-me por um medo;

Esta alma, amante inata, não esqueça a tua;

Pois, fazê-lo seria abdicar da própria razão de ser;

E, se estas palavras não forem o bastante pra alegar-te;

Saibas, também, que não as serão para perder-te.

 

Michael Wendder - Direitos reservados