Laura é o tipo de canção intensa que nunca vem sem lágrimas;
Que nunca parte sozinha e que sempre diz a que veio.
É fragrância que diz tudo, calmamente, num relance;
E faz cada segundo valer à pena como na eternidade dos anjos.
Laura é benção das mãos deste Universo recém achado;
A prova que Deus existe entre os mortais com ou sem razão aparente.
É a medida mais certa de esperança, mesmo se o amanhã calado;
Nada dizer e recusar-se a voltar. Laura, ainda assim, sobressai.
E como no gesto da criança que emociona ou do pai que aplaude;
Como no gosto do sábio pela simplicidade que só o tempo cativa
Essa mesma Laura inventa e se reinventa cada vez que inspiro.
Cada vez que, como agora, este peito estanque, ousa ser.
Então, para os ouvintes da agravada sorte, a missiva:
Deixem-nos a sós com o leme, o mar e o azul, afora.
Quem atravessa a ponte, mesmo desconhecendo o outro lado;
Tem certeza que existe terra firme com ou sem estradas.
Ninguém constrói uma ponte que não dá pra canto algum.
E esse meu vagar por Laura ao léu prossegue;
O resto é Laura, sempre. Laura sobressai, intensamente.
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