Meu humor é terra virgem,
Mar de insônias navegantes;
Que tão indolente à vista;
Alto a baixo mar divisa;
E é um quase, ser. Duvidas?
Nesse vento impreciso;
Não me tentes com sextantes;
Posto que a rota é leve;
Saibas tu, porém, guiar-se;
Uma boca e dois ouvidos,
Um desgosto e mil silêncios
Nada Deus põe por enfeite.
Nem os céus, o inferno ou;
A couve-flor que alcunhas cérebro.
Assim, pois, não suplantes,
Desbravar a temporã em sua tez;
Fruto bom, não nasce pronto;
Terra sã não há se mentes;
Ou se regas em excesso,
Este humor de amor a tiros.
Logo, em vão contar as gotas
Deste mar sereno, às vezes;
Logo, em vão, meter ao chão;
Uma pá de cal, pentelhos;
Logo tudo e nada, juntos;
Resta apenas um conselho:
Uma boca e dois ouvidos,
Nada Deus põe por enfeite.
E quem decide tal humor,
Senão o cuidado?
Michael Wendder - Direitos Reservados