Não enche!

Não enche!

Dizem das minhas canções sem ritmo;

Que não tocarão a ninguém e a nada;

E ainda, zombam das tardes e noites que passo;

Gerando um verso no ventre da alma;

Que de certo e amiúde modo, se expressa;

Nas suas maiores verdades e suas menores mentiras.

 

Dizem das letras sem traços; minhas;

Que são devaneios distantes;

Sem riscar o papel do feito escrita;

Inventando um mundo galante;

Do silêncio dos anjos ou homens?

Mentindo, amando ou matando?

Dizem que estou viajando.

 

Mas, dizem que querem carona;

Viver, não é um mar de renuncias?

Pra que tanta busca humana?

Pra que tanta sede por grana,

Nas suas maiores verdades e suas menores mentiras?

Para que, diz por fim: ironias?

 

Michael Wendder – Direitos Reservados