Primeiro dia após a morte,
As lágrimas de Platão findaram,
Desguarneceu-se toda sorte;
Fito: Eles nunca amaram.
Arqueio, fria a nossa aporte;
Mas páginas em vão marcaram;
Deus, onde está o tal suporte?
Porque me abandonaram.
Amor de cama violento;
Eu quero te apresentar a cruz;
Eu quero te representar na luz;
Amor de homem é talento;
Pra que se renegar aos urubus?
Acaso, sabes tu, o que expus?
Entres, feche a porta, me seduz;
Mas não tombes às velas;
Cuidado, ainda resta luz;
Será que nós só amamos nus?
O que de fato há pós tuas janelas?
Amor, de qualquer jeito, pressupus?
Seguindo dia após o parto;
Mas, volto nesta ou noutra condução.
Posto que uma vez mais reparto;
O pão daquela ceia, do irmão!
Amor, não sejas fútil. Te descarto;
Amar pra eu é adoração;
Desta que fazem o enfarto;
Ser mera dor de um insensato coração.
Michael Wendder – Direitos Reservados