Poema dobrado

Poema dobrado

Primeiro dia após a morte,

As lágrimas de Platão findaram,

Desguarneceu-se toda sorte;

Fito: Eles nunca amaram.

 

Arqueio, fria a nossa aporte;

Mas páginas em vão marcaram;

Deus, onde está o tal suporte?

Porque me abandonaram.

 

Amor de cama violento;

Eu quero te apresentar a cruz;

Eu quero te representar na luz;

 

Amor de homem é talento;

Pra que se renegar aos urubus?

Acaso, sabes tu, o que expus?

 

Entres, feche a porta, me seduz;

Mas não tombes às velas;

Cuidado, ainda resta luz;

 

Será que nós só amamos nus?

O que de fato há pós tuas janelas?

Amor, de qualquer jeito, pressupus?

 

Seguindo dia após o parto;

Mas, volto nesta ou noutra condução.

Posto que uma vez mais reparto;

O pão daquela ceia, do irmão!

 

Amor, não sejas fútil. Te descarto;

Amar pra eu é adoração;

Desta que fazem o enfarto;

Ser mera dor de um insensato coração.

 

Michael Wendder – Direitos Reservados