Recomeçar

Recomeçar

Cansei de engasgar estes soluços tolos

E restar de lampejos cuidados vencidos;

Glórias que nunca foram glórias;

De homens que nunca serão homens e;

E eu que não passou de mim pros outros.

Drasticamente, cansei, cansei, can ...

 

Até aqui as minhas chagas florescidas;

E que tanto perseguiram postas mágoas;

Deram-se a sóis distantes partindo e fomos;

Eu e o alvo aquém de tais lembranças;

Para assim, morrendo o poente dos achaques;

Ressurgir além do fim das limitadas coisas.

 

Portanto, agora, nenhuma desilusão caminha;

No postulado cântico das sombras;

Só resta eu, pra fora pondo as vans minúcias;

Que posterguei até aqui, agora, neste ponto final.

 

Quanto às feridas? Expurgo a cada passo do oceano;

Entranho sob o monte puritano e sigo,

Devagar porque já não há pressa ou prece a ser velada.

Então elevo embalsamado este suspiro e sai: Vivei

Uma voz que nunca ouvi me toma pela mão e se sacia!

Cansei de lamentar a sorte, a morte, fim ou o começo.

Agora eu vou viver aporte, o norte, assim: recomeço!

 

Michael Wendder – Direitos reservados